sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

13 desafios que você pode enfrentar em intercâmbio de trabalho na Disney

Decidi fazer esse post, porque todos os anos (alguns mais, outros menos), muitos Casts Members, enquanto estão lá na Disney, criticam que "não sabiam que iam enfrentar x desafio".
Alguns dos que enumerei aqui são mais óbvios que outros, porém escrevi todos os alvos de crítica que me vieram à cabeça, porque acho legal os newcomers saberem o que podem enfrentar indo trabalhar para a Disney, se prepararem e até saberem se é isso mesmo que querem.


  • Tudo varia, esteja preparado 
Um requisito do programa é ser flexível
E o ponto aqui é: não tenha absolutamente nada como verdade imutável. Esteja preparado para mudanças, para que as coisas não sejam exatamente do jeito que você imaginou.
As coisas mudam MUITO de work location pra work location, de ano pra ano e até de condomínio pra condomínio.
Pode ser que você esteja acostumado a trabalhar de determinada maneira, seja deployed (transferido pra outro lugar) e tudo lá seja diferente.
Pode ser que te digam que trabalhar em parque é uma rotina acelerada e resort não, e você caia em um lugar dentro de parque parado, ou num hotel super movimentado.
Pode ser que te digam que trabalhar no Magic Kingdom é sinônimo de muitas horas (ou riqueza) e não seja nada disso.
Pode ser que te digam que as inspeções nos apartamentos (pra ver se tá tudo limpo, organizado, sem nada ilegal) são tranquilas e você acabar dando o azar de pegar uma inspeção mais rigorosa.

As coisas tendem a acontecer de uma maneira determinada, por isso é legal sempre pesquisar. Entretanto, não fique irritado ou se sentindo injustiçado se algo não sair como planejado.
(Por favor, que fique claro que isso não quer dizer que tudo tem que ser engolido. Há situações que você deve ir atrás para reclamar. Porém, existem as mudanças e situações mais intensas que são dentro do esperado)


  • Odiar role/work location/condomínio
Eu sei que todo mundo acaba criando expectativas, ainda que não percebam. Cuidado com isso, ok? Aqui entra a tal da flexibilidade de novo.
Tudo é escolhido pela Disney. O candidato pode sugerir praticamente tudo, e se você sonha muito com algo, se manifeste sem medo de ser feliz. Mas entenda que talvez não aconteça tudo do jeitinho que você sonhou. Se for o caso, procure os pontos positivos e entenda que você pode tirar proveito de absolutamente tudo.

A role e a data de embarque são descobertas com a aprovação (job offer).
Você manifesta seu grau de interesse (role checklist) em cada role nas entrevistas. É na segunda fase que sua role é escolhida então seja muito sincero nesse momento com você e com o seu recrutador.
Colocar que tem interesse em x role que você sabe que odiaria, que seria miserável passando 3 meses fazendo, só pra parecer flexível, não é uma boa ideia.
A Disney dá essa abertura com a role checklist não pra ver quem é flexível, mas pra ajudá-los a ver se eles concordam que você tem o perfil do que você deseja. E se você tá falando que faria a role Y e eles acharem que você daria um bom cast member fazendo isso, vão te colocar nela, sim! Então cuidado.
Vale lembrar que toda role tem muitos pontos positivos, então eu considero que só vale a pena declarar que não tem interesse no que você não faria de jeito nenhum mesmo, ou seria muito, muito, muito infeliz fazendo. E quanto mais opções você der pra Disney, mais chances dela te encaixar em algo.
Dai beleza, chegou a job offer com algo que você não gostou. Faça essa avaliação de 'não curti' x 'odiei, não tem como amar, tenho trauma'. Se você só não curtiu, pesquise mais, veja o que tem de bom, converse com quem foi dessa role, converse com os amigos que cairam nela, pense com carinho, lembre da flexibilidade que você disse que tem (ela deve estar aí, em algum lugar) e decida. Se você acha que não dá pra fazer a role que a Disney escolheu pra você, tome a decisão consciente, sabendo que não tem sentido pagar pra fazer um intercâmbio que você já tem 99% de certeza que vai ser infeliz. 
(Obs: conheço gente que odiou a role quando recebeu a job offer e se surpreendeu positivamente, assim como conheço gente que odiou quando recebeu a offer e passou 3 meses querendo voltar pro Brasil. Faça essa auto análise com calma.)

Quanto à work location e o condomínio, a Disney só te conta quando você chega em Orlando.
Acho que a maior parte das pessoas que ficam chateadas com location é porque caiu em resort, ou em atração que não gosta.
Em todo caso (e aqui serve pra condomínio, também), passado o baque inicial (não vou falar que não rola, porque rola, sim), pesquise os pontos positivos e se apegue a eles. Toda location/condomínio tem muitos! As chances de te mudarem são minúsculas, então você tem opção de passar 3 meses reclamando ou aprender a tirar algum proveito de onde você vai morar/trabalhar por 3 meses. Não é fácil, mas é possível. Converse com alumni, com o pessoal que vai morar/trabalhar com você.


  • Cargas horárias podem ser altíssimas (tanto semanais, quanto diárias) e nos piores horários
Entenda três coisas: (1) não existe lei trabalhista com limites máximos de horas trabalhadas por dia ou por semana; (2) a Disney tem um sistema que se chama seniority, que consiste, a grosso modo, no fato de que quem tá há mais tempo na empresa pode escolher os horários que prefere e não se aplica a ICP; (3) é um intercâmbio de trabalho, o objetivo principal é trabalhar. Ninguém vai exclusivamente pelo trabalho, mas, sim, é uma parte importante.
Assim, quem trabalha na Disney há anos, geralmente escolhe não ter que fechar (costuma ser trabalhoso fechar restaurante, loja etc), não ter que trabalhar mega tarde, madrugadas a dentro; ou nos cafés da manhã super cedo. Isso sobra pros ICPs, naturalmente. Lembrando que, dependendo a location, esses horários podem, sim, ser mais tranquilos.
Além disso, o único compromisso de horas que a Disney tem com os ICPs é não disponibilizar menos de 30h/semana. Dependendo da location/época do ano/demanda, a pessoa pode ter 3 day offs na semana, 2, 1, nenhum. Pode trabalhar 4, 5, 8, 10, 15, 16 horas por dia; 30, 40, 70, 80 horas por semana.
Cada lugar tem sua rotina, mas, geralmente, nas semanas do natal e do ano novo a coisa tende a ficar mais puxada que o normal.
(A MINHA experiência foi a seguinte:
costumava ter 2 day offs por semana e fazia perto de 40h/semana.
Na semana do Natal tive 1 day off só e fiz 46h. Na do ano novo não tive day off e trabalhei 75h.
Os meus shifts mais intensos foram de 15 e 14h no dia, apesar de terem sido bem raros)

  • Cansaço físico (dor no pé, nas costas, na perna)
As posições oferecidas são de base e, pela política da empresa, os Cast Members têm que apresentar uma imagem alegre, positiva, interessada.
Isso gera um cansaço físico muito alto, principalmente no início, quando o pessoal ainda não tá acostumado a ficar muitas horas em pé, às vezes parado no mesmo lugar, sem poder sentar ou se apoiar. 
Algumas roles exigem um pouco mais, como levantar caixas pesadas etc. 

  • Todo Cast Member é um custodial
Todo. Sem exceção. Do CEO da empresa até os próprios custodials.
Todos têm dever de limpeza e organização.
Se não gosta da ideia de limpar sujeira alheia, já comece a se acostumar.
Naturalmente, algumas roles/locations lidam com situações mais pesadas do que outras, mas todos têm esse dever e ele é cobrado, até pelo fato da Disney ser bastante exigente com o ambiente que apresenta aos guests.

  • Roomies podem ser muito difíceis
Ou não. Muitas vezes as pessoas encontram os melhores amigos da vida nos roomies.
A questão é que os programas da Disney envolvem pessoas muito diferentes. Com cultura, criação e manias muito distintas.
Eu não me refiro apenas a pessoas de outros países, mas entre brasileiros, mesmo, as pessoas são muito diferentes.
Isso às vezes pode gerar atritos e brigas feias.
O segredo é sempre manter o respeito, a educação, dar espaço pro outro, se comunicar e ter paciência e lembrar que você vai morar muito pouquinho tempo com aquelas pessoas. Às vezes não vale a pena um desgaste grande por coisas pequenas. Às vezes, um simples toque resolve algum problema. É importante, também, saber ouvir e lembrar que nem sempre você tá certo.

  • Managers/Coordinators difíceis de lidar
Como todo trabalho do universo.
Isso é muito variável, mas via de regra, sempre vai ter algum superior que te dá abertura e algum superior que é mais complicado, mas que tá te cobrando coisas no direito dele. Lidar com calma (respirar mil vezes, se preciso) e respeito é a melhor coisa.
Pode acontecer alguma situação mais séria de preconceito, abuso de poder, ofensa etc. Dai o jeito é reportar pro superior dos seus superiores.

  • Guests sem educação
Tem alguns. O jeito é (na maior parte das vezes) engolir, sorrir e acenar. E lembrar que pra cada guest que tenta acabar com o seu dia, tem milhares que fazem seu dia bem melhor!

  • Planos com amigos feitos no Brasil que às vezes vão por água abaixo
Pode acontecer de day off não bater, de perder contato com alguém muito querido durante o processo  seletivo, de fazer amizades novas com objetivos diferentes do que você tinha no Brasil.

  • O programa passa voando
2 meses e meio parece muito tempo, mas não é.
Ainda mais com a intensidade do trabalho, sobra pouco tempo livre e alguns dos planos feitos no Brasil ficam de lado.
Aproveite para curtir os parques da Disney nos dias de trabalho também!
Leve sempre uma troca de roupa na mochila, quando for trabalhar, e antes/depois do shift, vá em algum parque. Agende fast passes pra não perder tempo em fila.
Deixe o cansaço e a dor no pé pra lá, porque vale a pena.

  • Muito trabalho = bastante dinheiro = sem tempo pra viver
E o oposto também é verdadeiro: pouco trabalho = pobre = bastante tempo livre
De qualquer forma, o jeito é lembrar que há mil maneiras de aproveitar o programa e conciliar o pouco tempo ou o pouco dinheiro com coisas que te fazem bem.

  • Você não recupera o dinheiro que gastou pra ir com o valor do paycheck, nem dá pra ostentar comprando mil eletrônicos
Dá pra comprar coisas, sim. Mas não é a maior ostentação da vida, saiba disso antes de ir.

  • Preconceito com Brasileiro existe?
Gente preconceituosa tem no mundo inteiro. 
Mas muita gente passa pelo programa sem presenciar nenhum preconceito contra brasileiro.
Se for o caso, o jeito é conversar com a pessoa e/ou reportar.

Um comentário:

  1. MELHOR POST. Me segura, preciso copiar, hahaha

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